Tecnologia no tratamento do AVC - Edição 15 - Hospital Niterói D’Or | Santa Rosa

21 3602-1400

Av. Sete de Setembro, 301
Santa Rosa - Niterói - RJ

Receba nossa Newsletter

Confira nossas novidades.

Nesta Edição

O Doutor Responde
Incontinência Urinária
 
Em Pauta
Angio TC
 
Só para Elas
De peito aberto
 
Gente Miúda
Com o pé direito
 
 
Avanços da Medicina
Tecnologia no tratamento do AVC
 
Conhecendo os Exames
Diagnósticos com menos Radiação
 
Revista Sua Saúde - Edições de 2010 Edição 15
Avanços da Medicina - Tecnologia no tratamento do AVC

Superando doenças como infarto do miocárdio e câncer, o acidente vascular cerebral (AVC) mata mais de cinco milhões de pessoas por ano em todo o mundo e é a enfermidade responsável pelo maior número de vítimas fatais no Brasil. A disfunção, causada pelo entupimento ou rompimento das artérias em certas áreas do cérebro, quando não leva à morte, pode provocar sequelas irreversíveis. Por outro lado, avanços no diagnóstico e no tratamento têm sido capazes de salvar cada vez mais vidas, além de evitar que o problema se agrave, atingindo extensões sadias da massa encefálica. Para isso, porém, ainda é indispensável identificar rapidamente os sintomas e encaminhar o paciente a um centro de saúde bem preparado para o atendimento.

Cerca de 80% dos casos de AVC são isquêmicos, ou seja, a causa está em coágulos que impedem a chegada do sangue às células nervosas. Os demais são classificados como hemorrágicos, quando a origem é o rompimento de paredes das artérias. O Dr. Gabriel de Freitas, chefe da Neurologia do Hospital Quinta D’Or, alerta que, a partir do momento em que a pessoa começa a apresentar sintomas, cada minuto é precioso para impedir que o problema prejudique mais tecido saudável:

- Quando o paciente chega em até quatro horas e meia ao hospital, ele tem muito mais chance de ser tratado com sucesso e da medicação evoluir bem. A experiência mundial indica que a maioria das pessoas dentro dessa “janela temporal” ainda tem células nervosas que podem ser salvas.

Assim que alguém com suspeita de AVC é recebido no hospital, o tempo de início dos sintomas é verificado. Para aqueles que chegam antes das 4,5 horas é solicitada uma tomografia computadorizada do crânio para confirmar se o AVC é isquêmico.

“Nesses casos, os pacientes podem ser candidatos à trombólise, tratamento farmacológico para dissolver os coágulos que obstruem os vasos sanguíneos e restabelecer as funções perdidas pela falta de irrigação do cérebro”, explica o médico, que ressalta que o exame é fundamental na tomada de decisão, uma vez que leva apenas cinco minutos para ser realizado.

Entretanto, a principal evolução em diagnóstico por imagem em relação à patologia se deve à tecnologia de ressonância magnética. O exame, que demora um pouco mais para ser obtido - em média, 30 minutos - além de confirmar o diagnóstico, é capaz de indicar com alta precisão a extensão de células lesadas e se ainda há chance de salvar alguma área. “Especialmente nos casos de isquemia, a ressonância consegue mostrar o acidente vascular muito precocemente, o que ajuda na escolha da melhor terapêutica, o quanto antes”, destaca o Dr. Gabriel.

Outra novidade, ainda em estudo, é o desenvolvimento de fármacos que expandem o tempo de tratamento pós-AVC de quatro horas e meia para até nove horas. “Com isso, alguns pacientes que demoram mais para ser encaminhados ao hospital também podem ser triados para se candidatarem à trombólise”, comemora o médico. Ele ressalta, porém, que nem todos podem se submeter ao tratamento:

- Existe um risco envolvido na prescrição de medicamentos trombolíticos. Como afinam o sangue em todo o organismo, podem causar hemorragia.

Assim, apenas aqueles pacientes que comprovadamente tenham áreas que ainda possam ser recuperadas devem realizar o procedimento.

Em um número razoável de casos, entretanto, mesmo com o uso de trombolíticos, as artérias não são recanalizadas o suficiente para que hajanormalização do fluxo de sangue. Para isso, os especialistas recorrem à tecnologia dos stents ou outros dispositivos desenvolvidos para desentupir esses vasos. Mais conhecidos pela sua utilização em artérias cardíacas, os stents são minúsculas malhas de ferro que, inseridas dentro dos coágulos e depois abertas, liberam o curso sanguíneo em direção às células nervosas.

O que esperar para o Futuro?

Cientistas vêm desenvolvendo dispositivos mecânicos ainda mais eficazes que os existentes

hoje. Inseridos por cateter nas artérias, funcionam retirando coágulos sem efeitos colaterais para o paciente. O Dr. Gabriel de Freitas conta que, atualmente, alguns deles já vêm sendo utilizados em centros de ponta nos Estados Unidos e Europa, mas, como ainda não são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e têm o custo muito elevado para os padrões brasileiros, devem demorar a chegar por aqui. “Não temos previsão da aplicação dessas tecnologias no , mas certamente elas representam o futuro no tratamento das isquemias”, diz.

“O diagnóstico é capaz de indicar com alta precisão a extensão de células lesadas”

Mais um avanço é a demonstração por métodos de imagem do que os pesquisadores chamam de ‘penumbra’. A técnica, que compara resultados de exames de ressonância magnética de difusão e perfusão será, possivelmente, o futuro no diagnóstico do AVC. A ressonância de difusão mostra com clareza a área de tecido que foi afetada de forma definitiva, enquanto a de perfusão, a região do cérebro mal irrigada, mas que ainda pode ser recuperada, caso a circulação volte ao normal. A ‘penumbra’ indica a diferença entre essas duas extensões e constitui o tecido que fica ao redor da isquemia, mas que ainda pode ser salvo.

Dessa forma, a decisão sobre o tratamento de cada paciente não dependerá mais exclusivamente do tempo desde o AVC, mas também da existência de área de ‘penumbra’. “Sabemos que até 4,5 horas depois do primeiro sintoma, muitos têm uma área de penumbra considerável, por isso são tratados, mas há casos de pessoas que chegam em uma hora e não têm chance e outras, com nove horas, apresentam uma grande área a ser salva”, conta o Dr. Gabriel, que afirma, porém, que resultados das pesquisas ainda não são satisfatórios:

- Cada marca de ressonância magnética utiliza um método diferente para medir a penumbra e ainda não sabemos qual equipamento o faz com mais exatidão. Imagino que, em dois ou três anos, seja possível definir a melhor forma de avaliar a área afetada e a técnica já poderá ser aplicada no dia-a-dia.

Identificação rápida de sintomas é fundamental para salvar vidas


De acordo com os especialistas, o maior problema do AVC é a falta de informação que cerca a doença. Por isso, é preciso saber identificar os sintomas para buscar socorro imediatamente. Dê preferência a um hospital geral bem aparelhado e com equipe de neurologistas especializados no atendimento a pacientes com AVC disponível 24 horas por dia.

Fique atento aos sinais:

• Fraqueza ou paralisia em uma metade ou parte do corpo de uma forma súbita;

• Dormência em uma metade, ou parte do corpo de uma forma súbita;

• Dificuldade para falar ou entender o que os outros dizem;

• Fala enrolada;

• Dor de cabeça forte e repentina;

• Dificuldade brusca de enxergar ou visão dupla;

• Confusão mental.

Você sabe o que é um AIT?

O ataque isquêmico transitório (AIT) é uma espécie de AVC que dura pouco tempo e não deixa sequelas. De repente, a pessoa perde os sentidos de um braço, ou tem uma perna paralisada, o que, em geral, dura de 10 minutos a uma hora. Apesar do susto, muitos pacientes ficam aliviados com a melhora dos sintomas e não procuram ajuda médica imediata.

Segundo o Dr. Gabriel de Freitas é preciso dar a devida importância a esses eventos.
Quando o paciente oclui uma artéria, mesmo que o próprio organismo destrua o trombo, é um sinal de que algo está errado. Nesses casos, a chance de acontecer um AVC em seguida é muito grande. De acordo com algumas pesquisas, ela chega a 30%, principalmente de um a dois dias depois do AIT.
Quase tão incidentes quanto os AVC, são registrados, somente nos Estados Unidos, cerca
de 500 mil AIT por ano, sendo que muitos não são diagnosticados. O maior risco de complicações está entre as pessoas diabéticas, com idade avançada, ou pressão alta, mas o ideal é que todos busquem ajuda especializada rapidamente. “Estudos atuais mostram que após o AIT uma ressonância pode indicar aquele paciente com chances altas de recorrência.
Esse, se tratado a tempo, pode tê-la reduzida em até 80%. Ou seja, o AIT é uma chance de ouro de salvar vidas”, alerta o neurologista.
Voltar
 

Rede D'Or

Outros Hospitais D'Or

Hospitais Associados